segunda-feira, 17 de junho de 2013

Texto Pausa de Moacyr Scliar ( profª Julia)

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM – TEXTO “PAUSA” DE MOACYR SCLIAR



Tempo Previsto: 10 aulas   /  9º ano

Objetivo: Desenvolver e ampliar a capacidade de leitura e escrita.

Conteúdos Temáticos: Leitura e Interpretação.

Competências e Habilidades: Estabelecer relações entre textos; Diferenciar textos.

Estratégias: Iniciar as atividades utilizando as estratégias de leitura. 
Antecipação:
  • Apresentar aos alunos apenas o título e questioná-los: “Com este título o que podemos imaginar que terá no texto?” – anotar na lousa as sugestões que irão surgindo sobre o assunto que o texto abordará;
  • Perguntar também: A palavra “Pausa” nos leva a refletir sobre o que?” – estimulá-los a opinar e depois verificar no dicionário o verbete:

Significado de Pausa

s.f. Suspensão, parada momentânea de uma ação. / Vagar, descanso. / Silêncio mais ou menos longo que se produz na cadeia falada depois de cada grupo fônico, no interior ou no fim de um enunciado. / Música Figura que indica uma duração de silêncio entre os sons.

  • Continuar a discussão.

Checagem de hipóteses:
  • Distribuir cópias do texto; fazer a leitura em voz alta, comentar o título e o tema. Verificar se as sugestões dadas pelos alunos antes da leitura coincidem com o que foi lido.

Localização de Informações / Comparação:
  • Após a leitura conversar sobre o perfil da personagem protagonista “Samuel”;
  • Destacar neste perfil as palavras “pressa”, “relacionamento”;
  • Pedir que sublinhem trechos no texto que indiquem os momentos em que a personagem tem pressa e os que expõe o relacionamento com a esposa. Após sublinharem pedir que em duplas comentem ainda justificativas para o comportamento de Samuel.

Comparação de Informações:
  • Entregar aos alunos quatro novos textos:

Texto 1  -  Letra da música “Cotidiano” de Chico Buarque

Todo dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã

Todo dia ela diz que é pra eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher
Diz que está me esperando pro jantar
E me beija com a boca de café

Todo dia eu só penso em poder parar
Meio dia eu só penso em dizer não
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão

Seis da tarde como era de se esperar
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão

Toda noite ela diz pra eu não me afastar
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pra eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor

Todo dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã




Texto 2 – Frases retiradas do livro “O Pequeno Príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry

            “O amor verdadeiro não se consome, quanto mais dás, mais te ficas.”

“O amor não consiste em olhar um para o outro, mas sim em olhar juntos para a mesma direção.”

“Tornas-te eternamente responsável por aquilo que cativas.”
                       
“O que dá beleza ao deserto é que esconde um poço de água em qualquer parte”.

As pessoas são solitárias porque constroem muros ao invés de pontes.


TEXTO 3  -  Imagem do botão de pausa.
  

Texto 4  - “Pausa” de Mário Quintana
PAUSA
Quando pouso os óculos sobre a mesa para uma pausa na leitura de coisas feitas, ou na feitura de minhas próprias coisas, surpreendo-me a indagar com que se parecem os óculos sobre a mesa.
Com algum inseto de grandes olhos e negras e longas pernas ou antenas?
Com algum ciclista tombado?
Não, nada disso me contenta ainda. Com que se parecem mesmo?
E sinto que, enquanto eu não puder captar a sua implícita imagem-poema, a inquietação perdurará.
E, enquanto o meu Sancho Pança, cheio de si e de senso comum, declara ao meu Dom Quixote que uns óculos sobre a mesa, além de parecerem apenas uns óculos sobre a mesa, são, de fato, um par de óculos sobre a mesa, fico a pensar qual dos dois – Dom Quixote ou Sancho? – vive uma vida mais intensa e, portanto mais verdadeira…
E paira no ar o eterno mistério dessa necessidade da recriação das coisas em imagens, para terem mais vida, e da vida em poesia, para ser mais vivida.
Esse enigma, eu o passo a ti, pobre leitor.
E agora?
Por enquanto, ante a atual insolubilidade da coisa, só me resta citar o terrível dilema de Stechetti: “Io sonno um poeta o sonno um imbecile?”
Alternativa, aliás, extensiva ao leitor de poesia…
 A verdade é que a minha atroz função não é resolver e sim propor    enigmas, fazer o leitor pensar e não pensar por ele.
 E daí?
 – Mas o melhor – pondera-me, com a sua voz pausada, o meu Sancho   Pança – , o melhor é repor depressa os óculos no nariz.

  • Expor os textos e pedir que estabeleçam relações com o texto “Pausa” de Moacyr Scliar;
  •  Texto 1 – Relacionando esta leitura ao texto de Scliar espera-se que os alunos consigam perceber que os protagonistas estão entediados com a vida que tem, mas nenhum dos dois deixam suas esposas.
  • Texto 2 – Pedir que procurem no texto “Pausa” trechos que possam ser auxiliados com a reflexão das frases. Os alunos poderão relacionar as frases ao texto justificando assim o relacionamento descrito na história.

  • Texto 3 – Relacionar a imagem à atitude da personagem Samuel; Propor que imaginem que possam apertar aquele botão de pausa em sua própria vida. Descrever como seria este momento. Perguntar se seria em um momento passado, presente ou futuro?

  • Texto 4 – Explicar a pausa do texto de Mário Quintana relacionando-a com a pausa feita no texto de Scliar.

Produção de Inferências Locais e Globais:
  • Propor que observem os trechos em que aparecem as frases “Samuel saltou da cama, correu para o banheiro”, “Vestiu-se rapidamente e sem ruído.”, “A mulher coçava a axila esquerda”, “observou a mulher com azedume na voz”. Orientá-los na discussão esperando que possam nessas frases inferir que a personagem não é feliz em seu casamento e que o fato de a mulher coçar a axila mostra que ela não se envergonha, então o casamento já está numa rotina. Pedir que procurem outras frases que possam inferir ideias propostas pelo narrador que nos levam a entender o comportamento de Samuel.

Recuperação do contexto de produção do texto
  • Levar os alunos à sala de informática e propor que pesquisem sobre o autor, seu papel social, suas obras, seus gostos, suas críticas, público alvo, entre outros aspectos relativos ao autor e sua obra.
  • Socializar em sala as pesquisas feitas. Sondar se houve interesse na leitura de outros textos do autor.

Generalizações
  • Sabendo que as generalizações permitem guardarmos na memória partes que mais se destacam no texto, pedir que façam uma síntese do texto “Pausa” de Moacyr Scliar.

Avaliação
  • Observação da participação oral diante dos questionamentos gerados nas discussões quanto à análise, interpretação e argumentação que levaram a desenvolver a habilidade “estabelecer relações entre os textos” e “diferenciar textos”.
  •  Atentar para qual dos gêneros expostos os alunos apresentaram maior dificuldade para desenvolver as propostas.
  • Registrar individualmente o desempenho dos alunos.

Referências Bibliográficas

DOLZ, J. M., Schneuwly B. Gêneros E Progressão Em Expressão Oral E Escrita – Elementos Para Reflexões Sobre uma Experiência Suíça. São Paulo: Mercado de Letras, 2010.

Quintana, Mário. Pausa. In  A vaca e o hipogrifo. Porto Alegre: Garatuja.

ROJO, R. H. R. Letramento e Capacidades de Leitura Para a Cidadania. SEE-SP SEM- SP, 2004.

o Contemporâneo. São Paulo: Cultrix, 2002, p. 275-277.

 
Saint-Exupéry, Antoine. O Pequeno Príncipe. Agir, 2000.

SCLIAR, Moacyr. Pausa. In BOSI, Alfredo. O Conto Brasileiro Contemporâneo. São Paulo: Cultrix, 2002, p. 275-277.

Links:


Links:http://www.vagalume.com.br/chico-buarque/cotidiano.html#ixzz2VyhOU6dA




 




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